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06/10/2026

Transações por celular crescem seis vezes em quatro anos e chegam a 273 bilhões

Avanço do Pix e dos aplicativos bancários mudou a relação dos brasileiros com os bancos; outros canais mantiveram volume praticamente estável no período (Por Guilherme Santiago) - foto reprodução -

O banco que o brasileiro mais usa cabe no bolso. Em apenas quatro anos, o número de transações realizadas pelo celular saltou de 45 bilhões para 273 bilhões, uma expansão de seis vezes entre 2020 e 2024.

Os dados fazem parte do Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, e incluem operações financeiras e não financeiras, como pagamentos, transferências e consultas feitas pelos clientes.

Enquanto o celular avançou rapidamente, os demais canais de acesso permaneceram praticamente estáveis no período.

A mudança ajuda a dimensionar uma transformação que vai além da substituição da agência pelo aplicativo. Em poucos anos, o telefone se tornou o principal ponto de contato de milhões de brasileiros com o sistema financeiro, aproximando serviços que antes dependiam de uma estrutura física.

Segundo o BC, esse movimento foi impulsionado pela digitalização dos serviços, pela disseminação do Pix e pelo aumento do número de relacionamentos dos brasileiros com instituições financeiras.

De 45 bilhões para 273 bilhões
O crescimento ganhou velocidade principalmente a partir de 2021. As transações por telefone celular passaram de aproximadamente 45 bilhões em 2020 para 69 bilhões em 2021. No ano seguinte, mais que dobraram, para 148 bilhões. Em 2023, chegaram a 199 bilhões e, em 2024, alcançaram os 273 bilhões.

A escala contrasta com a relativa estabilidade de canais como internet banking, caixas eletrônicos, correspondentes e atendimento presencial apresentada pelo levantamento.

O movimento acompanha a própria disseminação do smartphone. Em 2024, 60% dos usuários de internet no Brasil acessavam a rede exclusivamente pelo celular. O aparelho aparecia como meio de acesso para pelo menos 99% dos usuários de internet em todas as classes sociais e faixas etárias analisadas.

O relatório aponta que os celulares podem reduzir custos de acesso a produtos e serviços financeiros e ampliar o alcance do sistema, especialmente entre pessoas distantes de agências e outros pontos físicos de atendimento.

Pix acelerou mudança no comportamento
A expansão do celular também coincidiu com a consolidação do Pix na rotina financeira.

Em pesquisa do BC reproduzida no relatório, o Pix passou de meio de pagamento utilizado com mais frequência por 16,7% dos brasileiros em 2021 para 46,1% em 2024, ultrapassando o dinheiro em espécie.

Outros indicadores reforçam a digitalização. Em 2024, 84% da população utilizou serviços bancários on-line e 72% realizou operações bancárias por aplicativos móveis, segundo dados da Febraban citados pelo Banco Central.

Até a forma de receber dinheiro mudou. A parcela de brasileiros que recebia salário em uma conta de instituição financeira passou de 53% em 2021 para 72% em 2024. No mesmo intervalo, a fatia dos que recebiam salário em espécie caiu de 26,4% para 15,5%.

O resultado é um sistema financeiro que continua tendo agências, caixas eletrônicos e correspondentes, mas no qual uma parcela cada vez maior da rotina acontece sem deslocamento.

A transformação dos últimos quatro anos mostra que o celular deixou de ser apenas uma alternativa ao banco físico. Para boa parte dos brasileiros, virou o próprio banco. (Fonte: Exame)

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